segunda-feira, 21 de março de 2011

Polícia procura arma que pode explicar como agem os grupos de extermínio em SP

Em uma das maiores operações da polícia paulista nos últimos anos, quarenta viaturas, um helicóptero e 180 homens da Policia Militar participaram durante cinco horas de buscas em um dos bairros mais violentos da periferia de Osasco, na Grande São Paulo.

A megaoperação tinha um único objetivo: localizar uma arma. Um fuzil conhecido como calibre ponto 223 - de uso restrito. A arma foi utilizada no assassinato de quatro PMs e dois policiais civis.

No fim da operação, 14 traficantes foram presos, e a polícia apreendeu drogas, dinheiro e seis armas de fogo, entre elas uma granada - até um colete à prova de balas foi encontrado. Os policiais só não encontram a arma que procuravam: o fuzil calibre ponto 223.

Mais que uma arma, o fuzil seria a prova definitiva da participação de ex-policiais militares em um grupo de extermínio que age na grande São Paulo.

O Domingo Espetacular teve acesso a um relatório confidencial da alta cúpula da Secretaria de Segurança Pública. O relatório mostra quem são e como agem os principais grupos de extermínio de São Paulo.

O documento tem quarenta páginas e revela que, nos últimos três anos, 150 pessoas foram mortas de forma suspeita pela Polícia Militar, sendo que 91 não tinham antecedentes criminais.

A motivação para as mortes é obscura. Cinquenta e oito pessoas foram mortas “sem motivo aparente” e dezenove entram na estatística como “limpeza” - ou vítimas de grupos de extermínio.

O relatório também inclui alguns vídeos. Um deles comprova a guerra interna na polícia. Mostra o momento em que três homens, usando duas motocicletas, se aproximam do prédio em que mora um policial civil que investigava um grupo de extermínio. Um homem desce da moto e se aproxima do portão, o outro estaciona na calçada. Um deles tenta intimidar o investigador que permanece dentro da guarita. O investigador ameaça tirar uma arma, e os três fogem em seguida.

De acordo com o relatório, os três homens são policiais militares, integrantes de um grupo chamado “A Firma”, que age em Santo André, na Grande São Paulo. O grupo ganhou o nome porque passou a agir como uma empresa. Os “funcionários”, todos ex-policiais militares, eram contratados para matar.

O preço de um assassinato variava entre R$ 30 mil e 50 mil reais.

As mortes de policiais civis e militares poderiam ser motivadas por desavenças no grupo ou porque os matadores ficaram incomodados com as investigações.

Na capital, a polícia ainda busca a principal prova contra os matadores de Santo André - o fuzil calibre ponto 223, considerado uma arma de guerra.

Fonte: R7.com

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